YOUR GUARDIAN

Artigo publicado no Guardian dia 17 de setembro de 2011. Ajuda na reflexão sobre o futuro dos jornais (impressos ou não). Tradução livre.

Seu guardião

Nosso editor chefe, Alan Rusbridger, explica a mudança de preço para edição impressa do Guardian.

O preço da edição semanal do Guardian está subindo para £ 1,20, com a edição de sábado indo a £ 2,10. Nós sabemos que esses são tempos difíceis para muitos de nossos leitores. Sendo assim, quero explicar: por que o aumento de preço é necessário; o que o seu dinheiro nos permite fazer; e como você pode ter seu Guardian diariamente por um preço menor.

Por quê?

Todos os jornais impressos estão sendo atingidos por várias mudanças, com destaque para a revolução digital, que estão competindo por atenção e anúncios, especialmente anúncios de empregos. Se menos pessoas estão comprando jornais (nossa fatia do mercado diminuiu 9% nos últimos seis meses), isso significa menos receita.  Se devido a um momento difícil na economia ou mudanças tecnológicas, menos pessoas anunciam na versão impressa, isso significa ainda menos receita.

Assim como todos os jornais, nós julgamos que as formas digitalizadas do que fazemos – sejam pagas ou gratuitas – serão cruciais para o futuro do Guardian. A pesquisa, o desenvolvimento e a expansão digital, em paralelo com os custos da versão impressa, despendem muito dinheiro e serão necessários muitos anos para que os custos dessas transformações cubram os investimentos.

Estamos em um período que tem sido descrito por alguns analistas como uma tempestade para os jornais: aumento nos custos, receitas menores e a pior fase econômica dos últimos 60 anos, pelo menos. Atualmente, no mercado de jornais do Reino Unido, três das quatro organizações estão perdendo dinheiro.

Nós não pertencemos a um proprietário multibilionário ou a uma organização internacional. O Scott Trust, fundado em 1936, é a última organização midiática realmente independente no Reino Unido. Esse único fator assegura que o jornalismo praticado pelo Guardian seja sempre livre, e nós investimos todos nossos recursos para que isso ocorra.

O que fazemos

Para que serve o dinheiro? Administrar uma organização de jornalismo séria não é barato. Aqui estão algumas coisas que você nos permitiu fazer este ano:

WikiLeaks – Editar, contextualizar e reportar a maior fonte de segredos diplomáticos e militares da história.

Primavera Árabe – Reportar sobre as revoluções e lutas no Egito, na Tunísia, no Barein, na Síria, na Líbia e em outros lugares.

Escândalo dos grampos telefônicos – Uma investigação de dois anos que testemunhou: um grande número de demissões na News Corp, na polícia e nos órgãos reguladores; uma investigação criminal; ações judiciais e inquéritos – e a queda de um acordo que daria à News Corp total controle sobre a BSkyB.

Revoltas em Londres – A filosofia do jornalismo colaborativo do Guardian nos deixou em posição privilegiada durante os distúrbios de agosto, com incomparáveis reportagens em tempo-real, vídeos e análises informativas que atraiu mais de seis milhões de leitores em um dia. Isso nos levou a uma colaboração com a LSE, a Fundação Joseph Rowntree e a Open Society Foudantions, que trabalharam com nossas informações e reportagens para se debruçarem sobre as causas das revoltas.

Nós contamos com uma rede de correspondentes internacionais e especialistas, porque acreditamos que o futuro do jornalismo depende de reportagens embasadas, agregação de conteúdo e análise. Bons jornais querem funcionar de forma eficiente e, obviamente, nós procuramos trabalhar nisso da melhor maneira possível. O pior erro cometido por algumas organizações jornalísticas é economizar na reportagem investigativa e original, o que, no final das contas, é o principal motivo de suas existências.

Valor para o dinheiro

O Guardian reduziu as vendas “a granel”, internacionais e os anúncios artificiais em circulação. Nós não distribuímos nossos jornais em hotéis, aviões, academias ou trens. Atualmente, alguns jornais dão mais cópias do que vendem. Nós não. Estamos profundamente interessados na lealdade de nossos leitores que, por sua vez, estão interessados no valor de nosso jornalismo e no fortalecimento desses laços.

Nós achamos que £ 2,10 no sábado e £ 1,20 durante a semana é um bom valor para um jornal sério e internacional como o Guardian. Um cappuccino custa entre £ 1,80 e £ 2,05. O transporte para o trabalho não sai por menos de £ 2,50. Uma assinatura de TV a cabo custa por volta de £ 1,70 por dia. Nós achamos que os novos preços do jornal são justos.

De fato, você não tem que pagar nada disso se você inscrever-se no nosso programa de assinaturas, o que pode fazê-lo economizar 38%. Uma assinatura do Guardian e do Observer custará £ 27,60 por mês, ou 90p (cents) por dia. Se você vive na Grande Londres e participar de nossa Inscrição Direta você poderá pagar esse preço e ter o jornal entregue às 7 horas da manhã de segunda a sábado – e uma hora depois nos domingos.

O Guardian existe por 190 anos. Assim como todos os jornais, está passando por uma transição dramática. Está sendo lido por mais pessoas que poderíamos imaginar, mesmo há 15 anos. Em agosto mais de 51 milhões de pessoas ao redor do globo leram nossas notícias.

Em um mundo dominado pelas organizações de mídia globalizadas, nós somos cada vez mais raros: uma companhia de sucesso, aberta, genuinamente independente, inovadora, investigativa e pensando não somente no lucro; uma companhia que tenta matar um leão por dia – e consegue.

Obrigado pelo seu suporte, nós dependemos dele.

Alan Rusbridger

Editor chefe do Guardian

Original: http://www.guardian.co.uk/help/insideguardian/2011/sep/17/alan-rusbridger-explains-guardian-prices

Sobre Thanius Scoralick Sarchis

Jornalista
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